O Egoísmo Político e a Xenofobia: Uma Reflexão sobre a Responsabilidade Regional da África do Sul

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Elaborado por: Filósofo Daniel Ngovene

O Egoísmo Político e a Xenofobia: Uma Reflexão sobre a Responsabilidade Regional da África do Sul

 

A África do Sul Não Pode Cercar-se da Pobreza

Sempre que a África do Sul enfrenta uma nova onda de xenofobia, o debate concentra-se nos estrangeiros. Uns defendem deportações, outros exigem fronteiras mais rígidas. Mas poucos fazem a pergunta essencial: será que o problema está realmente nos imigrantes ou na incapacidade da região de crescer em conjunto?

O maior erro estratégico do governo sul-africano foi acreditar que poderia construir uma ilha de prosperidade rodeada por um mar de pobreza. A história demonstra que isso é impossível. Nenhuma muralha é suficientemente alta para impedir que o desespero atravesse fronteiras.

Quem abandona a sua terra não o faz, na maioria dos casos, por capricho. Migra porque procura trabalho, segurança e dignidade. Enquanto milhões de africanos não encontrarem essas oportunidades nos seus próprios países, continuarão a procurar um futuro onde ele exista.

Expulsar estrangeiros pode satisfazer a revolta de alguns, mas não elimina a causa da imigração. Fechar fronteiras pode reduzir temporariamente a entrada de pessoas, mas não impede que a pobreza, a instabilidade e o desemprego continuem a pressionar as fronteiras. Combater as consequências sem enfrentar as causas é uma política destinada ao fracasso.

Se a África do Sul pretende resolver o problema da xenofobia de forma duradoura, precisa de olhar para além das suas fronteiras. A resposta não está apenas no controlo migratório, mas também na liderança regional. Ajudar os países vizinhos a desenvolverem as suas economias, fortalecer as suas instituições, criar empregos e ampliar oportunidades não é um gesto de generosidade; é um investimento na própria estabilidade e segurança da África do Sul.

Uma região forte beneficia todos os seus membros. Quando Moçambique, o Zimbabué, o Lesoto, Eswatini e outros países da África Austral prosperam, diminui a migração forçada, reduzem-se as tensões sociais e cresce o comércio regional. Todos ganham.

A verdadeira liderança africana não se mede pela capacidade de erguer muros, mas pela capacidade de construir pontes. O futuro da África do Sul está inseparavelmente ligado ao futuro dos seus vizinhos. Ignorar essa realidade é repetir os mesmos erros e perpetuar um ciclo de violência, medo e divisão.

A África do Sul chegou a um momento decisivo. Pode continuar a tratar os sintomas da crise ou assumir a responsabilidade histórica de liderar o desenvolvimento da África Austral. A primeira opção prolonga o problema; a segunda pode transformar o destino de toda a região.

A prosperidade isolada é uma ilusão. Em África, ou crescemos juntos, ou enfrentaremos juntos as consequências das desigualdades.

 

 Filósofo Daniel Ngovene

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