Império Axum: origem, localização, organização económica, social, política, religião, arte e decadência

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Localização geográfica

O reino axumita ocupava uma superfície mais ou menos rectangular de aproximadamente 300 km de comprimento e 160 km de largura, estendendo se da região ao norte de Karen ate Alaki, ao Sul, e de Adulis, na Costa, até ás cercanias de Taqqase, a Oeste. Na actualidade, corresponde a uma porção de território Etíope situada próximo do mar vermelho.

O território Axum, recebia em seus domínios um dos afluentes do rio Nilo, o que lhe permitia desenvolver uma razoável actividade agrícola, mas foi no comercio que esta sociedade de distinguiu. As principais cidades do reino Axum eram: Axum, Adulis, Matara e Kohaito que formavam comunidades densas e compactas, constituídas por habitações que se agrupavam ao redor de grandes edifícios nos quais funcionavam vários serviços.

Economia

A descoberta de milhares de moedas, de objectos de vidro e de ânforas, principalmente ao redor da cidade Axum, testemunha o dinamismo económico que caracterizava essas cidades. Foki efectivamente através das moedas que ficaram conhecidos os nomes dos 5 primeiros reis: Andybis, Aphilas, Ousanas I, Webeza, e Ezena e um total de dezoito outros reis axumitas. São as moedas que também permitiram periodizar a fase anterior e posterior á penetração do cristianismo em Axum. As moedas anteriores a Ezana ostentam como símbolos um disco e um crescente, as posteriores á sua conversão ao cristianismo mostram uma cruz no centro de uma das faces ou entre as letras da legenda inscrita a sua volta.

As moedas eram em geral de bronze com tamanho variável entre 8 a22 mm e traziam normalmente o busto dos reis com ou sem coroa. Em alguns casos o busto do rei é enquadrado por duas epigas de milho curvadas, noutros por uma espiga recta no centro, como sucede nas moedas de Aphilas e Ezena. As espigas deviam representar algum poder ligado á fertilidade da terra, “saúde e felicidade do povo”, “paz para o povo”, “Ele triunfara através de Cristo” etc.

A agricultura e a pastorícia

A agricultura e a pastorícia constituíram durante muito tempo, a base de vida económica de Axum. os axumitas adoptaram varias técnicas para consoante o relevo predominante  em cada região, construíram terraços nas encostas das montanhas para a prática do cultivo e faziam irrigação a partir de agua canalizada das torrentes. Nas planícies faziam cisternas e barragens para armazenar a água da chuva e cavavam canais de irrigação. Usavam como principal instrumento o arado puxado por bois e cultivavam essencialmente o trigo e a videira. Como pastores crivavam bois, carneiros, cabras, asnos e mulas onde os maiores rebanhos pertenciam aos soberanos. A par destas criações os axumitas praticavam a caca e a domestica do elefante reservado exclusivamente ao uso pelos membros da corte real. Os principais alimentos dessa civilização eram bolos de trigo, cerveja, vinho, hidromel, mel, carne, manteiga e óleo vegetal.

Ofícios

Dedicavam se á metalurgia de ferro, á olaria, às construções e com a descoberta de uma argamassa que facilitava a cimentação, ás construções de alvenaria na base da pedra e de madeira. A metalurgia revelou se mais importante por ter influído na agricultura, na arte militar e nas próprias actividades artesanais: Na agricultura permitiu o fabrico de instrumentos de ferro tais como enxadas e machados, o que possibilitou o aumento dos excedentes agrícolas e consequente aumento demográfico; Na arte militar foram fabricadas espadas e lanças que garantiram a superioridade militar e expansão territorial.

Ao nível dos ofícios, foram confeccionados tesouras, pás, enxós, pinças, e outros que passaram a facilitar o trabalho, permitindo a produção de excedentes artesanais que foram incluídos no comércio.

Comercio

A agricultura e a pastorícia como actividades primárias, vieram a ser superadas pelo comércio, uma vez que os dois primeiros séculos de Axum correspondem ao aumento do tráfico marítimo no mar vermelho atribuindo a expansão romana e a descoberta da correcta utilização dos ventos que favoreceu a navegação naquele mar. com isto multiplicaram se as trocas de mercadorias entre os dois pólos de convergência deste comercio: o mediterrâneo e a Índia. Neste período Adulis situado na costa, a meio caminho da índia e do mediterrâneo, tornou se não só num ponto de encontro importante no comércio marítimo, como também num local de partida e recepção dos produtos vindos do interior via terrestre.

Axum fazia também comércio com os países vizinhos. Vendia trigo, bois, sal, ferro, obtendo em troca metais, essencialmente de ouro. O comércio não só enriqueceu a aristocracia reinante e seus vassalos, como também grupos sociais privilegiado, compostos por cidadãos axumitas da capital que detinham reservas de grandes stocks de diversa mercadoria de exportação, constituindo os principais fornecedores de produtos.

O comércio era considerado o negócio do Estado, sendo controlado pelo governador de Agaw, por nomeação do rei, a ele cabia a inteira responsabilidade de equipar e de despachar as caravanas. Grande parte das importações destinava se a amplas camadas da população.Com efeito os braceletes de cobre importado trabalhadas localmente, lanças de ferro importado, bem como roupas de tecido estrangeiro e inúmeros artigos, vinham alimentar os mercados locais.

O comércio local era também dinamizado pelos estrangeiros, Romano-Bizantinos e hindus, que estabelecidos em adulis ou na cidade de Axum importavam muitos artigos, com destaque ao óleo de oliva e vinho. As balanças, os pesos, o selo, e as moedas romanas e kushitas encontradas nas escavações arqueológicas constituem vestígios deixados por esses comerciantes. O reino axum veio a estabelecer uma aliança de interesses comerciais com o império bizantino.

 

Bibliografia

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AZEVEDO, Ana Maria. Nova Historia Viva, 9 ed. Plátano, Lisboa, s/d;

BACKHOUSE, Roger, Historia da Economia Mundial, Extensão Liberdade, São Paulo, 2002;

BURNS, MacNail. Roger, História da Civilização ocidentalDo Homem das cavernas até a Bomba atómica, 2 ed. Globo, rio de Janeiro, s/d;

CAMERON, Rondo. Historia Económica do Mundo de forma Concisa de os 3000 anos ate presente, 2ed., Portugal, 2004.

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