Reino dos Lombardos

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A conquista lombarda, contra golpe da invasão dos cavaleiros ávaros nas planícies da Europa central, deixa a Itália arruinada por guerras in­termináveis. Roma mesma foi cercada várias vezes, destruída em grande parte, enfraquecida por terríveis fomes. Toda a região parecia abandonada à anarquia, às desordens de toda espécie. Nos primeiros tempos, as po­pulações fugiam diante desses bandos de novos bárbaros, violentamente hostis, pouco influenciados pela civilização romana do Oriente; ainda pa­gãos ou recentemente convertidos ao arianismo, pareciam então anima­dos por um zelo de neófitos contra os cristãos romanos.

A ocupação lombarda foi regida muito tempo pela lei militar dos conquistadores; as terras foram confiscadas; a aristocracia romana ou goda exterminada. Durante quase dois séculos nenhuma lei garantiu as pessoas ou os bens dos romanos, submetidos a vexames e a dificuldades particulares. Além disso, a invasão destruiu o limes do Friul e as praças fortes da Venécia; deixava assim abertos os passos e as rotas dos Alpes aos ávaros e aos eslavos, que, por várias vezes, lançam seus ataques nas planícies e até sobre as costas do Adriático.

O Estado lombardo reúne tribos de origens étnicas bem diversas; nascido da conquista, foi rapidamente desintegrado por graves crises de sucessão: de 574 a 584 principalmente, após a morte de Alboíno. A única força política era o grande exército bárbaro, de inicio mal fixado, mais ou menos nômade, posteriormente estabelecido em blocos compactos na pla­nície, comandados por um duque, praticamente independente.

O rei afirma-se lentamente, no reinado de Liutprando somente (713-744), quando se desintegram as últimas defesas bizantinas do Norte. Pouco a pouco, chefe de guerra, grande justiceiro, cercado em Verona, Milão, sobretudo em Pavia, por oficiais do palácio e depois de juntas administrativas inspiradas na chancelaria romana, impõe sua autoridade às províncias do Norte. Instala oficiais, condes ou gasta/di, agentes do domínio real que usurpam os poderes dos duques, recrutam exércitos, presidem tribunais.

Mas, por outro lado, em meados do século VIII, assim que o Estado lombardo se desintegra sob o golpe dos exércitos francos, as terras do centro, sob o domínio dos duques de Espoleto e Benevento, permanecem praticamente autônomas. No Sul, bandos de guerreiros, liderados por chefes insubmissos, detêm os cantões montanheses, vendem seus serviços a Bizâncio, ao papa, ao imperador carolingio, ou lutam contra todos, sempre tendo em vista o butim

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