Educação como processo de humanização em Paulo Freire

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Freire é brasileiro, filósofo da educação contemporâneo e é reconhecido internacionalmente na área. Seus trabalhos mais importantes são Pedagogia do Oprimido e Pedagogia da Autonomia, obras estas publicadas em mais de 20 idiomas. Os conceitos pertinentes sobre Freire são: humanização, autonomia, consciência de sujeito e de mundo, aprendizagem e função da escola.

A concepção de Freire sobre o processo educativo e a metodologia de aprendizagem, partem necessariamente do aluno e o contexto social em que está imerso. Desse modo, a aprendizagem acolherá a complexidade da existência de quem está ensinando e aprendendo, jamais isolando o indivíduo como se fosse apenas uma ferramenta ou objeto isolado de sua realidade.

Conceito de humanização

A formação da sociedade (relação que os homens estabelecem entre si) acontece num processo. É uma dinâmica em que se estabelecem confrontos de interesses sociais e econômicos, que, em grande parte, toca na ganância pela posse de bens materiais ou pela luta da sobrevivência.

É perante a esse exmplo que a pessoa se encontra diante de dois caminhos: optar pela humanização ou negá-la. A escolha de um dos caminhos, geralmente, é estabelecida por condições históricas e sociais que fazem parte de cada indivíduo. Este indivíduo que é um ser em construção, nunca está acabado e sua construção se dá a partir de suas condições sociais.

A desumanização pode ser definida pela negação de diversas culturas que vão construindo o cotidiano da pessoa. É a negação da complexidade e a diversidade que formam continuamente cada indivíduo. A humanidade é desconfigurada quando se impõe um modelo único de cultura. Em nosso tempo, a desumanização acontece quando o modo de vida é baseado na competitividade, na exploração do capital e na ideologia de mercado. Quando as pessoas ficam submetidas a esses valores, a relação entre as culturas acaba por criar e reproduzir injustiças, exploração e violência.

Freire nos explica que: na dinâmica entre oprimido e opressor, ambos têm sua humanidade roubada, fato que é determinante e dificulta a ruptura para um sistema social alternativo. A humanização é uma busca permanente do ser humano, não é um fim em si mesmo, mas um meio para alcançar outro objetivo.

Freire e educação como proposta de humanização

Uma ideia inicial é que a educação pode reforçar os mecanismos sociais que viabilizam a desumanização e a exclusão social. Essa argumentação de Freire, além de contradizer o discurso oficial e conservador da época, apresenta a educação não mais como um reflexo da sociedade, mas como uma possibilidade de alteração social. Logo, para Freire, o ato educativo é necessariamente um ato político.

Outra ideia de Freire é a “educação bancária”. O termo faz uma crítica à postura das escolas como reprodutoras da ideologia de mercado. Freire identifica algumas características comuns na relação entre educação e mercado. O conteúdo é compreendido como “produto”, os alunos são vistos como “clientes”, a vivência e o cotidiano em sala de aula são vistos como “produção”.

A proposta de Freire vê a educação como um processo que pretende tornar as pessoas capazes de interpretar a realidade, de forma a perceber as relações de opressão e exclusão. Para Freire a educação tem que ser sistêmica, ser percebida como um jogo de poder que é social, sem interações, envolvendo a ética e os costumes. Este jogo de poder não deve excluir, mas deve acolher os seguintes elementos: a ética, as emoções, os sentimentos, a política em favor da vida, a solidariedade, a autonomia, e os conhecimentos contextualizados. O que também significa diminuir a competição e afastar o discurso conformista da realidade.

 

Bibliografia

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

KEIM, E, J. Paulo Freire e a complexidade na educação. Dialogia – Revista do Departamento de Educação – Centro Universitário Nove de Julho, UNINOVE, v. 0. p, 32-40, 2001.

MORELL, J. C. Pensamentos Pedagógicos e Sistemas Educacionais. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2014.

REALE, G. ANTISERI, D. História da filosofia: Antiga e Idade Média. v. 1. São Paulo: Paulus, 2002.

SAVIANI, D. Educação: do senso comum à consciência filosófica. 17. ed. Campinas: Autores Associados, 2007. (Coleção Educação Contemporânea).

TOMELIN, J. F.; SIEGEL, N. Filosofia geral e da educação. Caderno de estudos. Indaial: Uniasselvi.

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