O imperialismo Europeu e a partilha da África e Ásia

0
98

O Imperialismo foi a política de expansão de uma nação sobre outras(s) seja por meio da aquisição territorial, seja pela submissão económica, política e cultural de outros Estados, que teve início a partir da Segunda Revolução Industrial. O Imperialismo pode também ser entendido como o movimento do grande capital financeiro em busca de novos mercados na Ásia, na África e na América Latina. Os Estados e os grandes industriais europeus foram os principais encarregados desse movimento. Em busca principalmente de matéria-prima, mercado consumidor e mão-de-obra barata, a expansão imperialista não se deu de maneira uniforme, podendo a dominação econômica ser ou não acompanhada de ocupação político-militar do território dominado.

A segunda fase da Revolução Industrial gerou crescentes necessidades. A produção industrial, em larga escala, exigia cada vez mais matérias-primas e mercados consumidores. Havia excesso de capitais acumulados na Europa, e eles precisavam ser investidos. Uma das soluções era aplicá-los no exterior, onde o lucro seria maior. Além disso, novas possessões eram fundamentais para a navegação a vapor, pois em caso de conflitos, a importância das bases estratégicas aumentava. Assim, o imperialismo foi uma conseqüência lógica do capitalismo industrial.

A acumulação de capitais, o desenvolvimento tecnológico, a integração mundial da economia e o rápido crescimento populacional provocaram uma mudança no capitalismo. Ele passou da fase concorrencial para a monopolista, com o surgimento de trustes, holdings e cartéis, em que uma ou algumas empresas controlavam a produção e a comercialização de uma mercadoria.

A fundamentação ideológica do imperialismo era a teoria da su- perioridade racial do homem branco (o europeu), considerado o “civilizado”, chamando para si o direito de submeter os povos considerados “selvagens” (os africanos) e os “bárbaros” (os asiáticos). O modo de vida e as instituições do “civilizado” deveriam ser impostos a todos. Como conseqüência, vieram o desrespeito, as violações, as modificações e extinções de várias culturas nativas.

O imperialismo, também chamado neocolonialismo, foi levado a outros continentes das mais diversas formas, até mesmo pela ação de missionários cristãos e de pesquisadores científicos, facilitando a conquista e espoliação de muitos povos. Era a missão civilizadora, o “destino manifesto” do homem branco.

Um dos factores estimulantes foi a pressão demográfica na Europa, que exigia espaço para a colocação do excedente. Nas últimas décadas do século XIX, cerca de 15 milhões de europeus emigraram, procurando melhores condições de vida e a garantia de estarem vivendo sob a proteção das leis do seu país de origem. Portanto, as novas colônias deveriam ser um prolongamento da nação de origem.

A superioridade tecnológica do branco, especialmente em ar- mamento, justificava e facilitava a dominação e a repressão. Enquanto tropas nativas eram postas sob o comando de oficiais brancos, os colonizadores se aliavam às oligarquias locais para, de comum acordo, explorar as riquezas locais.

França e Inglaterra eram, por excelência, as grandes potências colonialistas. Mas Rússia, Alemanha, Bélgica, Holanda, Itália, Japão, Estados Unidos, e até mesmo Portugal e Espanha (países não-industrializados) também participaram da corrida imperialista. Muitos países colonizadores administraram diretamente suas colônias. Também utilizaram o sistema de protetorado, mantendo a administração local sob controle metropolitano. A exploração econômica foi a base das relações entre os países imperialistas e seus impérios, condenados a fornecerem produtos primários e consumir produtos industrializados.

A Inglaterra colonizou o Canadá, a Austrália; conquistou a África do Sul, anexando as regiões do Cabo, Natal e o Transvaal. Dominava o Mar Vermelho, passagem do Mediterrâneo para o Índico, por meio do controle acionário da companhia que administrava o Canal de Suez, inaugurado em 1869. A Índia tornou- se uma colônia de exploração, administrada em proveito exclusivo da Grã-Bretanha. E boa parte da África negra pertencia ao império britânico.

A Inglaterra começou a penetrar na China, em 1840, fornecendo ópio, produzido na Índia, viciando o povo. O governo chinês tentou proibir esse comércio altamente lucrativo, mas os ingleses reagiram, ocorrendo a Guerra do Ópio (1840-1842), que terminou com a derrota chinesa. Pelo Tratado de Nanquim, a China cedeu os portos de Cantão e Shangai, além da ilha de Hong Kong para o Reino Unido. Mais tarde, outros países industrializados obrigaram a China a assinar o Tratado de Pequim, estabelecendo áreas de influências das grandes potências. A soberania chinesa não mais existia.

A França conquistou a Argélia em 1830, primeira etapa de sua política expansionista no norte da África, que se completou com a ocupação da Tunísia e do Marrocos. Instalou-se na Indochina; conquistou o Senegal, as embocaduras do Níger e Congo, dominando boa parte da costa ocidental da África. Fundou a África Ocidental e a África Equatorial.

Unificadas tardiamente, Alemanha e Itália reivindicavam uma parte na partilha da África e da Ásia. A possibilidade de ocorrerem conflitos entre as potências imperialistas motivou o Congresso de Berlim de 1884, convocado por Bismarck. O congresso estabeleceu normas de conquista, reconhecimento e delimitação das áreas conquistadas, mas sem quaisquer consultas aos nativos. Assim, a Alemanha pôde anexar a costa oriental e o sudoeste africanos, enquanto a Itália estabeleceu seu domínio na Líbia e na Somália, embora fracassasse na conquista da Etiópia.

O Rei Leopoldo II da Bélgica criou uma colônia particular no Congo, depois incorporada ao Estado Belga.

Várias guerras coloniais marcaram o domínio europeu na África e na Ásia. Na Índia, houve vários levantes contra os ingleses, como a Guerra dos Cipaios. Soldados cipaios, seguidores do islamismo, foram recrutados pelos ingleses para formar um exército colonial. Porém, o uso de gordura de porco para engraxar armamentos revoltou os soldados e a rebelião se alastrou. Terminou com um enorme massacre dos nativos, em 1858.

Na África do Sul, ocorreu a Guerra dos Bôeres, colonos de ori- gem holandesa que fundaram os Estados de Natal e Transvaal. Gozavam de alguma independência. Mas a descoberta de ouro e diamante em território bôer, no fim do século XIX, motivou a invasão, a guerra e a sua derrota em 1902. Houve milhares de mortos, inclusive nos campos de concentração montados pelos ingleses.

Em 1900, nacionalistas chineses, chamados “boxers”, tentaram expulsar os ocidentais. A Guerra do Boxers culminou com a invasão de Pequim e a derrota dos sublevados. A dinastia manchu não conseguiu unir chineses contra o imperialismo, nem impedir a divisão do império em áreas de influências das potências estrangeiras. Uma verdadeira revolução popular estava em marcha. A confusa situação nacional, a humilhação do país e a fraqueza imperial manchu causaram o triunfo da República, em 1911, por Sun-Yat-Sen.

O Japão permanecia praticamente fechado ao mundo ocidental desde o século XVI, sob o domínio do chefe de armas imperial, o shogun. O período do shogunato durou até 1853, quando os americanos forçaram a abertura dos portos.

Os japoneses concordaram em estabelecer relações comerciais com os americanos. Outras nações também se impuseram, forçando o Japão a assinar os “tratados humilhantes”. Ao Japão restavam duas alternativas: ou se modernizar ou se submeter ao imperialismo ocidental, como acontecia com a vizinha China. A opção foi a “Revolução Meiji”. O imperador concentrou o poder político e extinguiu o shogunato. Substituiu-o pelo primeiro-ministro. Em 1868, o imperador Mitsuhito iniciava a ocidentalização nacional.

Os antigos senhores feudais se transformaram em modernos capitães de indústria. O Japão passava do feudalismo para a Revolução Industrial, enviando japoneses para estudar em es- colas nos Estados Unidos e Europa e importando técnicos e tecnologia ocidentais, queimando etapas.

Ao se industrializar, o Japão se transformava em uma potência imperialista. Por ser pobre em matéria-prima, a expansão imperialista era vital para o Japão manter sua produção industrial, concorrendo com os países ocidentais. O Japão atacou a China, derrotou-a e se apossou de Formosa (Taiwan).Maistarde,incorporouaCoréia,apósderrotaraRússia, que também a disputava. O domínio do Extremo Oriente era objeto da geopolítica japonesa.

Os Estados Unidos consolidavam sua hegemonia na América Latina, pela criação de um Conselho Pan-Americano, com sede em Washington, em 1901. O conselho facilitava a intervenção americana nos assuntos internos de vários países, como o México, a República Dominicana, Cuba, Nicarágua, Guatemala etc. Como corolário do seu imperialismo, os americanos receberam do recém-criado Panamá o direito de construir e explorar, perpetuamente, o c Toda essa ânsia pela conquista dos territórios, tanto na Ásia como na África, entre as potências européias mais os Estados Unidos gerou um ambiente de estabilidade nas relações internacionais.

O imperialismo do final do século XIX e início do século XX pregava a conquista de territórios espalhados pelo mundo onde se pudesse promover a exploração e a influência ideológica. A tensão acirrada entre os países que participaram desse novo momento de conquista de colônias na história da humanidade foi um dos motivos geradores da Primeira Grande Guerra Mundial.anal que ligaria o Atlântico ao Pacífico

Поиск
Спонсоры
💸 Queres levantar dinheiro do PayPal no M-Pesa? Faz já a troca na TrocaPay: 879369395 ⚡ Simples, rápido e seguro!
Категории
Больше
pedagogia
O Construtivismo na perspectiva Psicopedagógica
Construtivismo É uma das correntes empenhadas em explorar como a inteligência humana...
От Daniel Ngovene 2022-07-18 09:33:09 0 92
Biografia
Biografia de Helena Kida
Helena Kida     Helena Mateus Kida é Ministra da Justiça,...
От Daniel Ngovene 2022-07-15 13:43:25 0 98
Filosofia
A pessoa como ser de relações
Por pessoa entende se o ser humano como fruto das relações e valores vividos por...
От Daniel Ngovene 2022-06-22 14:47:44 0 881
Biblioteca
Poder dos ovos da codorniz (Perdiz da montanha).
Os ovos de codorna tem um sabor semelhante aos ovos de galinha, mas são ligeiramente mais...
От João Danquene Jaime 2022-07-30 12:01:33 0 370
Artigos
A Revolução Copernica na Teoria do Conhecimento: o sujeitotranscendental em Kant
Por: Adams A Revolução Copernica na Teoria do Conhecimento: o sujeito...
От Daniel Ngovene 2021-10-21 15:18:18 0 85