Historiografia do século XX

0
55

Até finais do século XIX, ainda vigorava o modelo Positivista tradicional, não obstante ter sido enriquecido pelo modelo historicista, ao negar o estabelecimento de leis em história e ao valorizar o papel do sujeito na elaboração da história (relatividade e subjectividade).

Mesmo com a emergência das ciências sociais na segunda metade do século XIX, (sociologia, Geografia Humana, Psicologia, etc), a história continuava a “mãe” uma espécie de dona e senhora do conhecimento humano. Até esta fase a história confinava-se pyura e simplesmente nos aspectos institucionais, políticos e culturais, característicoa do movimento positivista.

Este estatuto privilegiado da história, sofre embates e críticas que se aprofundaram nas primeiras décadas do século XX.

Fatores da Crise

1 Emergência das correntes historiográfica, Marx e Engels trazem uma nova concepção  da história ( materialista), onde acentuam o papel das massas e não dos indivíduos, a preferência pelo estudo das economias e sociedades em lugar dos aspectos políticos.

François Simiand, economista e sociólogo, denúncia três ídolos dos historiadores então em vigor:

  • Ídolo político que os leva a dar importância  exagerada aos aspectos políticos, guerras, etc.
  • Ídolo individual ou a história de ordenar as pesquisas em torno de um indivíduo e não dos fenómenos sociais,
  • Ídolo cronológico, o hábito de se perderem no estudo da origem do passado.

2 Evolução científica  – o rápido e extraordinário progresso  sobretudo das ciências naturais revoluciona os quadros do saber estabelecidos. O saber deixa de ser um dado feito, acabado, para se encontrar continuamente em mudança, com os homens, isto é, o saber deixa de ser estático, mas sim susceptível a mudanças.

3 Emergência das Ciências humanas e sociais –  Na segunda metade do século XIX, a história perde a exclusividade do cohecimento com a emergências denovas ciências que vão compartilhar o homem como objecto de estudo. Por exemplo a Sociologia de Durkein que estuda a comparação genética dos grupos sociais; a Geografia Humana de Vidal de la Blanch, luta pela inserção do homem no espaço; a Antropologia que estuda o homem a partir das suas produções e reproduções.

Portanto, a crescente importância destas ciências sociais, colocaram aos historidores três grandes problemas:

A definição e delimitação do conteúdo específico da História;

Reformulação da sua função objectiva nas sociedades hodiernas;

Metodologia.

5 O impacto das Novas Condições históricas resultantes da I e da II guerras Mundiais – Se compararmos  a situação mundial e alargarmos o nosso horizonte para comparar a situação do mundo na década de 50. quatro grandes mudanças se revelaram imediatamente:

Nada se produz doravante numa parte do globo que não tenha nenhuma repercussão nas outras partes;

O progresso da ciência e da técnica, impõe por parte uma nova forma de sociedade e novos pensamentos: Ex, a invenção do computador no Ocidente impôs uma nova vida, forma de pensar, investigar, aos povos do mundo.

Houve queda da preponderância europeia em benefício de outros continentes;

Enquanto no início do século XX, o regime democrático progredia sem encontrar contrastes, 60 anos depois, o comunismo que até 1930 restringia-se ao espaço soviético, estendia-se a 1/3 da população do globo.

Face a este todo cenário, os historiadores tradicionais viram-se obrigados a se redimirem do seu modelo com vista e se adequarem às novas realidades do mundo.

Os Novos Rumos da História do século XX

A partir do Século XX (1929), com a publicação da revista “Annales” por Lucien Febre e Marc Bloch, é combatido o modelo positivista em vigor.

A partir das críticas feitas ao Positivismo, deduzem-se as sehuintes coordenas da História Nova:

1 O alargamento do campo do historiador, isto é, defesa de uma história total, uma história que abarque todos aspectos humanos;

2 Alargamento do conceito de conceito de documento histórico, isto é, o documento histórico é tudo o que exprime o homem;

3 Aparecimento da história problema e a valorização do papel do historiador na construção da história. A investigação histórica deve partir de um problema, não de um documento como dfendiam os positivistas;

4 Alargamento cronológico e geográfico da história –  a história não é só o passado, mas sim o passado para comnpreender o presente e prespectivar o futuro. É  uma história universal, não só e só europeia.

5 Defesa da Interdisciplinaridade, isto é, se a História deve ser total, é imperiosa que ela mantinha um diálogo interdisciplinar com as outras ciências.

6 Com a morte dos dois fundadores da revista Annales, os destinos da Escola Nova ficaram na responsabilidade  de Ferdinand Braudel  que vai introduzir uma nova dimensão do tempo histórico nomeadamente:

  • Tempo curto ou tempo dos acontecimentos, relativoa à questões de guerras;
  • Tempo médio ou tempo das conjunturas, relitivos a variações cíclicas não superiores a um século;
  • Tempo longo ou tempo das estruturas, variações cíclicas de mais de um século.
Pesquisar
Categorias
Leia mais
Biologia
Doenças que podem ser contraídas na piscina
Piscinas públicas ou privadas estão cheias no verão devido ao calor intenso....
Por Daniel Ngovene 2022-07-06 15:48:45 0 61
História
O REINO DO KONGO
O REINO DO KONGO   O Reino do Congo ou Império do Congo foi um Estado...
Por Daniel Ngovene 2021-11-15 14:41:21 0 49
História
Estado/Império Zimbabwe
Estado/Império Zimbabwe Os primeiros Estado de Moçambique (Zimbabwe e...
Por Daniel Ngovene 2022-04-18 11:54:54 0 67
História
Análise e planeamento financeiro
Antes de mais darei defecções de análise e planeamento: A Analise...
Por Daniel Ngovene 2022-07-08 06:55:59 0 70
Biologia
Cultura de chá em Moçambique
A cultura de chá em Moçambique, data de 1915, ano em que a empresa...
Por Daniel Ngovene 2022-07-17 09:31:32 0 45