Descolonização da África – O processo de descolonização da África

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Causas da descolonização

A descolonização da África está relacionada com a decadência da Europa, motivada pela Primeira Guerra Mundial, pela crise de 1929 e Segunda Guerra Mundial.

Outro factor será o despertar do sentimento nacionalista na Ásia e na África, impulsionado pela decadência da Europa e pela Carta da ONU, que, em 1945, reconheceu o direito dos povos colonizados à autodeterminação. O ponto máximo do nacionalismo será a Conferência de Bandung (1955), ocorrida na Indonésia que estimulou as lutas pela independência.

A guerra fria e a polarização entre EUA (capitalismo) e a URSS (socialismo) também contribuíram para o fim dos impérios coloniais. Cada uma das superpotências via na descolonização uma oportunidade de ampliar suas influências políticas e económicas.

Colónias Inglesas

Independência do Egipto: O Egipto era um protectorado inglês (a região possuía autonomia, supervisionada pela Inglaterra). O domínio inglês terminou em 1936, porém o canal de Suez continuou sob controlo britânico.

Independência da Argélia: O movimento nacionalista argelino começou em 1945. Liderada por muçulmanos este movimento inicial foi reprimido. As manifestações intensificaram-se após a fundação da Frente Nacional de Libertação – influenciada pelo fundamentalismo islâmico. A guerra de independência começou em 1954. Em 1957 ocorreu a Batalha de Argel – duramente reprimida pelo exército francês. No ano de 1962 houve a assinatura do acordo de Evian, ocorrendo o reconhecimento da independência argelina.

Colónias Portuguesas

O fim do império colonial português: Durante a década de 1950 começaram a se organizar movimentos separatistas em Angola, Moçambique e Guiné portuguesa.

Moçambique

Em 1962, foi criada a Frente de Libertação de Moçambique, Frelimo, por Eduardo Mondlane, que iniciou as lutas pela independência. Samora Machel, em 1969, assumiu a direcção do movimento, que passou a disputar, através da guerrilha, o controle do território. Em 1975, Portugal reconheceu a independência de Moçambique.

Angola

Em 1956 foi criado o Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), sob a liderança de Agostinho Neto. Posteriormente surgiram a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e a União Nacional para a União Nacional para a Independência Total de Angola.

Colónias francesas

A seguir à Segunda Guerra Mundial a França, que já se encontrava a braços com insurreição na Argélia e na Indochina e depois de já ter perdido Marrocos e a Tunísia, em 1956, como resultado de movimentos independentistas aos quais foi obrigada a ceder, tentou em Setembro de 1958, através dum referendo uma manobra de dar uma “autonomia” às suas colónias, que continuariam a fazer parte da “Comunidade Francesa”.

Com excepção da Guiné, que votou pela independência imediata, a Costa do Marfim, o Níger, o Alto Volta e o Daomé decidiram formar a “União Sahel-Benin” e, mais tarde, o “Conselho do Entendimento”, enquanto o Senegal se unia ao “Sudão Francês” para formar a “Federação do Mali”. Estas uniões não duraram muito tempo e a França, em 1960, reconheceu a independência da maioria das suas colónias africanas.

A descolonização em Djibouti

Djibouti foi uma das colónias francesas que decidiu, em 1958, manter-se na “Comunidade Francesa”, mas, devido a problemas de governação, a população local começou a manifestar-se a favor da independência. Depois de um novo referendo, em 1977, o Djibouti tornou-se finalmente um país independente. Nas Comores, a história foi semelhante, mas com uma declaração unilateral de independência, em 1975, que foi reconhecida no mesmo ano, mas que não abrangeu a ilha Mayotte, onde a população votou por manter-se como um território francês.

A ilha da Reunião é igualmente um departamento francês, governando, para além da ilha principal, várias outras ilhas que são reclamadas por Madagáscar e Maurícia.

A descolonização na Argélia

A Argélia, ocupada pelos franceses desde 1830, junto com a Tunísia e o Marrocos, a chamada Região do Magreb, entre o deserto do Saara e o Mediterrâneo.

Na Tunísia e do Marrocos a independência foi relativamente tranquila. Na Argélia, a guerra não foi evitada. Entre 1954 a 1962, argelinos e franceses estiveram envolvidos em um conflito após diversos movimentos fracassados contra a ocupação francesa, desde a década de 40 do século XX. Os movimentos aumentaram após a Segunda Guerra Mundial, e foram reprimidos pelas forças militares francesas. Em 1954, eclodiu a sangrenta guerra que culminou, oito anos depois, com a declaração de independência da Argélia.

Independência das colónias Italianas

A Itália foi o último país europeu a chegar ao continente africano e também o primeiro a se retirar.

As únicas colónias italianas na África foram a Líbia, Eritreia e parte da Somália. A Líbia tornou-se independente em 1951 e a Somália Italiana em 1960. No mesmo dia, a antiga Somália Italiana uniu-se à Somália Britânica para dar origem ao que é hoje a República de Somália.

Além dessas colónias, a Itália invadiu o actual território da Etiópia em 1936. Depois da invasão, a Etiópia perdeu sua independência para a Itália e logo foi incorporada à África Oriental Italiana. Cinco anos depois, em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, a Etiópia reconquistaria sua independência, junto com a Eritreia, que em 1993 separou-se da Etiópia e antiga África Oriental Italiana (Etiópia) foi dividida em Eritreia e Etiópia. Isto permanece até hoje.

Efectivamente, a independência das ex-colónias italianas processou-se logo no início do pós-guerra, tendo a ONU um papel importante nesse cenário.

Independência das colónias portuguesas na África

A independência das colónias portuguesas em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné Bissau, que foi reconhecida pela comunidade internacional, mas não pela potência colonizadora. As restantes colónias portuguesas ascenderam à independência em 1975, na sequência da Revolução dos Cravos.

Polémica sobre a descolonização das ex-colónias portuguesas na África

Algumas pessoas, tanto em Portugal, como nas suas ex-colónias de África, consideram que o processo de descolonização foi mal conduzido.

Um dos argumentos é fato de não terem sido incluídos nos acordos que levaram à independência das colónias garantias sobre os direitos dos residentes que ali viviam e que viriam a escolher a nacionalidade portuguesa; esses críticos justificam o êxodo dos portugueses por essa razão.

No entanto, os problemas que viveram, a seguir às suas independências principalmente Angola e Moçambique, são geralmente atribuídos a questões internas de governação e não ao processo de descolonização.

Independência das colónias Espanholas na África

A Espanha colonizou o que corresponde hoje ao actual norte do Marrocos, a Guiné Equatorial e a Saara Ocidental.

O Marrocos actual se tornou independente em 7 de Abril de 1956. O restante do Marrocos foi colónia francesa e se tornou independente em 2 de Março de 1956. O Marrocos actual surgiu em 1956, quando os dois protectorados se uniram.

A Guiné Equatorial tornou-se independente da Espanha em 1968

O actual território da Saara Ocidental se tornou independente em 27 de Fevereiro de 1976. Porém, sua independência não foi e ainda não é reconhecida pela ONU. Apenas 60 países reconheceram sua independência. O primeiro estado foi Madagáscar em 28 de Fevereiro de 1976. O último foi a África do Sul.

As consequências da descolonização:

O surgimento de novos países que, ao lado das nações latino

Americanas, formaram o bloco do Terceiro Mundo. Este bloco fica sob a dependência dos países capitalistas desenvolvidos (Primeiro Mundo) ou de países socialistas (Segundo Mundo). A dependência deste bloco será responsável pela concentração de renda nos países ricos e pelo crescente endividamento externo dos países subdesenvolvidos, apresentando sérios problemas de saúde, educação, desnutrição, entre outros.

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