O pensamento de Obenga

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Universidade Eduardo Mondlane

Faculdade de Filosofia

Docente: Mestre Elias Judite Macuacua

Discente: Daniel Alexandre Ngovene

Resumo 

O Presente trabalho visa discutir torno do pensamento de Obenga no que concerne a sua visão sobre o afrocentrismo, apresentado na sua obra, o sentido da luta contra o africanismo eurocentrista, onde busca uma reinserção da história do egipto, ou por outra um revisitar as culturas africanas para combater as teorias eurocentristas, de modo a desconstruir as afirmações de Hegel e dos outros eurocentristas, importa referir que para além de Obenga vamos também, analisar a obra de Mucale  Afrocentricidade: complexidade e liberdade que discute sobre a mesma temática.

 

Palavras-chave:  Racismo, Afrocentricidade,  eurocentrista, reinserção e Egiptologia

Contextualização do pensamento 

Théophile Obenga nasceu em Mbaya, na República do Congo, em 1936. Discípulo e amigo de Cheikh Anta Diop, Obenga tem defendido uma perspectiva da história africana reorientada para as preocupações dos investigadores e intelectuais africanos, ansiosos por revisitar a sua herança cultural. Théophile Obenga estudou filosofia na Université de Bordeaux, história no Collège de France, em Paris, e aprendeu egiptologia em Genève. Teve ainda a oportunidade de obter uma formação em Ciências da Educação, na University of Pittsburgh, EUA. 

Ele é doutorado em Letras, Artes e Humanidades, pela Universidade de Monpellier, França, Obenga é membro da Sociedade Francesa de Egiptologia, e colaborou com a UNESCO em programas relacionados com a escrita da história africana e da história cultural e científica da humanidade. Até 1991, Obenga foi o Director-Geral do Centro Internacional das Civilizações Bantu (CICIBA), sedeado em Libreville, no Gabão. Actualmente, Obenga é professor na San Francisco State University, em San Francisco, na Califórnia, EUA, onde dirige também o Departamento de Estudos Africanos.

Obenga é  o Director da revista ANKH – Revista é Egiptologia e das Civilizações Africanas. Obenga conta-se, indiscutivelmente, entre grandes intelectuais africanos contemporâneos, foi convidado a participar na conferência de 1974, que decorreu na cidade de cairo no Egipto,  que a pena foi possível a realização do mesmo graças às contribuições de Cheikh Anta Diop e dele, é partir deste contexto que inicia as suas investigações sobre a reinserção do Egito no contexto africano, este livro está dividido em nove capítulos, onde ele procura tecer uma crítica rigorosa a autores africanistas eurocentristas, que perpetuando o racismo no continente africano.

Tese central do livro

Obenga propõe a escrever este livro de modo a deixar claro que o que se diz sobre áfrica, tanto pelo Ocidente assim como pelo alguns africanistas coloca em causa o futuro do povo africano, uma vez que estes tentam perpetuar o racismo contra o povo africano, baseando-se em evidência não científica, como outrora o Ocidente fez na pele a toda barbaridade praticada no passado “O Ocidente devia assumir a responsabilidade de ter destruido, com fogo, com sangue a vitalidade histórica dos povos africanos” (OBENGA, 2013ç 38), ele apresenta estes factos como um dos elementos básicos para o Ocidente acabar com barbaridade que tem perpetuado contra o povo africano, reconhecer que cometeram crime contra a dignidade do povo africano, o facto de o Ocidente reconhecer o crime praticado não significa que estaria a perder a sua dignidade, mas é um acto humano de conceder a outro as mesmas liberdades de que goza, estaria a exaltar a sua dignidade, Obenga afirma que é preciso que se combate o racismo visceral de modo a triunfar o respeito mútuo pela dignidade humana, só a partir destes pressupostos é que se pode falar de uma cooperação frutuosa entre o Ocidente e o Africano.

A África deve avançar de cabeça erguida, para conseguir construir um novo olhar sobre África partindo de uma perspectiva endógena que permitirá que se fale sobre o passado do povo africano sem se ocultar a verdade, em especial o egipto faraónico, uma vez que faz parte das antigas civilizações que foi construída sem nenhuma influência externa, conhecendo essa história que o Ocidente ocultou por vários anos de barbaridade que cometeu contra africano é preciso que “ as imagens mentais das épocas do tráfico negreiro, sustendo por todas as filosofias, todas as religiões e todos as nações europeias” (OBENGA, 2013: 47). É preciso que se faça uma lavagem cerebral para o povo africano que lhe possa permitir esquecer o seu passado, que iniciou desde a chegada do Ocidente nos países africanos, uma vez que não traz boas memórias para o povo africano, é preciso recordar que a filosofia ocidental também contribui na escravização de povos africanos.

Alguns filósofos conhecido na história da filosofia proferiram discursos que de certo modo insinuaram o desprezo contra o povo africano, um desses filósofos foi Hegel que afirma que o povo africano não tinha história, a religião também contribui no processo da  escravaturas, uma vez que serviu de base para sustentar a escravatura, onde afirmava que existia uma raça dos condenados da terra que podia servir os outros e para merecer a civilização tinha que se converter ao cristianismo, destruindo as tradições africanas que sustentava a lógica do africano 

Segundo Obenga (2013: 47), alguns africanistas como é o caso de Tauvelle-Aymar, Chritien, etc, os seus discursos de ódio tem machado a imagem do povo africano, uma vez que pretende continuar a perpetuar o racismo, ele entende que a missão dos africanos deve ser de restaurar a memória cultural e consciencia do povo africano, tendo em conta os feitos do Egipto faraonico negro porque o povo do Egipto tem uma grandeza enorme no que concerne ao passado do povo africano, é neste país africano que podemos ver as grande infraesturas, africanas levando isso como modelo para inspirar a nova juventudo. Ora, o que deve constituir motivo de orgulho (regozijo) para os africanos e na construção de uma nacionalismo africano e a solidariedade, com estes efeitos os africanos podem exercer uma grande influência no mundo. Sobretudo para a juventude africano, uma vez que estaria a partilhar os modos dos africanos por “O africano eurocentrista e racista de olhos alterados e rosto um tanto pálido, ocultava-se, luta contra a morte” (OBENGA, 2013: 42). Com esse espírito não se pode construir a unidade africana ou mesmo o pan-africanismo, mas deve-se pregar o amor e não ódio uma vez que este gera o racismo.

 

Afrocentricidade como um paradigma libertario. 

Para Mucale a grande semelhança entre os africanos do continente e os africanos da diáspora, como os afro-americanos, é a experiência histórica da opressão perpetuada por ocidentais, sobretudo a escravatura e a colonização. A escravatura sofrida pelos africanos pode ter resultado dos preconceitos segundo os quais os africanos não tinham alma e eram animais muito mais fortes e habilitados a executar trabalhos muito mais duros do que os índios. A negrura não era reconhecida como fazendo parte da condição humana.

Segundo (Fieiro apud Mucale, 2013,P.44) a ponta a fragilidade e a instabilidade sociopolítica resultantes da decadência de duas potências imperiais africanas multi-étnica, songhay, em 1500, e yoruba, no final de 1700, como as que facilitaram que a Europa cometesse o seu maior crime humanitário, a escravatura, pela transformação de prisioneiros de guerra em escravos.  

Esta experiência histórica negativa, caracterizada por um tratamento desumano de alguns ocidentais sobre os africanos, tornou urgente a criação da teoria afrocêntrica.

A Afrocentricidade é um modo de pensamento e acção no qual predomina a centralidade dos interesses, valores e perspectivas africanas. Em consideração a teoria, é a colocação do povo africano no centro de qualquer análise dos fenómenos africanos” (ASANTE apud MACALE, 2013: 25).

A afrocentricidade como perspectiva de estudo, não seria nada sem o sistema escravagista, o protesto pelos direitos civis, o nascimento do orgulho racial do black power. 

A afrocentricidade é a mais completa totalização filosófica, que luta para o africano estar no centro da sua existência. O Afrocentrismo vai além da descolonização da mente dos africanos e dos oprimidos. A tarefa da educação afrocentrada deve ser sempre a descolonização contínua das mentes dos ex-oprimidos. A descolonização não consiste apenas em libertar-se da presença do colonizador, ela deve ser necessariamente completada pela libertação total do espírito do colonizado, ou seja, a descolonização deve consistir em todas as más consequências, morais, intelectuais e culturais do regime colonial.

Conclusão

O autor coloca em causa o conhecimento fundado sobre o desprezo de outras raças, arrogância, o colonialismo, o imperialismo, o racismo,o tráfico negreiro, essa forma de produção de conhecimento dominou toda a europa por muitos séculos, não reconhecia os direitos cívicos e humanos de outros povos que não fazia parte da Europa. Portanto, é preciso que o povo africano que se encontra na diáspora e os que vivem no continente africano, que se une para combater o racismo e outros conhecimentos construídos com a intenção de querer denegrir a imagem do africano, é preciso que os africanos coloque em causa o paradigma hegeliano sobre o africano, uma vez que ele pretende afirmar que os egipcio não tinha o espírito africano.

  O Egipto constitui o patrimônio cultural da humanidade o ocidente projectou uma história de intolerância e de destruição cultural. Ora, a história é colocada no centro da vida humana, não sob uma perspectiva intelectual de querer mostrar aos outros que não pensa ou que tem razão,por isso são convidados os investigadores africanos a efectuar uma revolução intelectual historiográfica e filosófica.  

Ora, os investigadores africanos devem descolonizar-se as suas  mentes de modo a apagar todos os preconceitos incutidos na mente dos dele  pelo sistema educacional racista branco, no tempo da colonização, os investigadores não pode considerar-se livre porque já não há aquela subjugação mais directa e bárbara do passado, tendo em conta que continua com preconceitos herdados da colonização. 

 

Referências bibliográfica

MUCALE, Ergminio. (2013). Afrocentricidade: complexidade e liberdade.Portugal: Paulinas.

OBENGA, Théophile.(2013). O sentido da luta contra o africanismo eurocentrista. Trad. Manuel Figuereiro Ferreira, Luanda, Pedago.

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