A globalização e as sociedades hodierna

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Para julgar a globalização o autor nos propõe compreender não só como ela é hoje, mas também em compreender como ela foi ontem. Entretanto, a globalização não pode ser olhada como mero fruto da civilização ocidental como faz-se frequentemente, mas ela deve ser encarada sob ponto de vista desde os seus primórdios afim de compreender-se as vantagens que esta tem trazido para a humanidade, uma das vantagens é sem duvidas a expansão do saber científico e tecnológico, ora vejamos, 




 A alta tecnologia do mundo do ano 1000 incluía o papel, tipografia, a balestra, a pólvora, a ponte suspensa por corrente de ferro, a pipa, a bússola, o carrinho de mão e a ventoinha giratória. Mil anos atrás esses itens eram completamente usados na China e totalmente desconhecidos em qualquer outro lugar.” (Sen, 2010: 18).

 

Mas hoje, graças a globalização, esses objectos podem ser vistos e usados por todos os países do planeta. Inclusive pela própria Europa. Dai que não podemos afirmar que a globalização é exclusiva a Europa.  A posição que alega a globalização ser algo da civilização Europeia, tem sido sustentada pelos considerados seus defensores e pelos seus opositores.  

 

Os defensores consideram a globalização como uma contribuição da civilização ocidental, visto que, os mesmos consideram que tenha sido na Europa onde aconteceram grandes desenvolvimentos mundiais desde a renascença, iluminismo e a revolução industrial. Razão pela qual para os defensores a globalização não é apenas boa mas também é uma espécie de presente dado pelo ocidente para o mundo. 

 

 Os opositores não estando satisfeitos com a ideia da globalização ser um presente dado pelo ocidente torna-lhes legitimo afirmar que a mesma não passa de um novo imperialismo que o Ocidente instaurou. Porque para estes, o capitalismo contemporâneo que é dirigido e liderado por países ocidentais, tem estabelecido regras de comercio exterior que esta virada para o próprio interesse deixando os países pobres cada vez mais pobres.  

 

Amartya Sen retoma o discurso da globalização afirmando que ela não é necessariamente ocidental e nova como terão dito os defensores, visto que, por milhares de anos a globalização contribuiu para o progresso do mundo através da viagem, comercio, emigração, difusão de influências culturais, etc, e que o Ocidente nessa perspectiva não teria influenciado a nada, pensem embora para o autor os agentes da globalização não se localizam bem longe do Ocidente.  



2. Uma herança global  

 

 Após ter-se invalidada a hipótese de que a globalização é algo de uma origem exclusivamente ocidental, segundo Amartya Sem, é necessário suspeitarmos e analisar não só as teses antiocidentais (que não concebem o ocidente de bom agrado, negligenciando a sua contribuição para o mundo em geral), mas como também  daquelas teses que podemos constatar um certo patriotismo fanático que favorece tudo ao ocidente, o dito chauvinismo pró-ocidental.

 

É indubitável e irrefutável  que movimentos como a renascença, o iluminismo e a revolução industrial tenham acontecido principalmente na Europa e posteriormente nas Américas, mas também não se pode negligenciar que grande parte desses desenvolvimentos tiveram também uma certa cumplicidade com as experiencias do resto do mundo e não simplesmente do ocidente.




Nossa civilização global é uma herança do mundo e não apenas uma colecção de culturas gerais discrepantes” (Sen, 2010: 20),

 

Por exemplo quando falamos da matemática e da ciência, existe uma corrente de relações que unem intelectuais e estudos ocidentais dos não-ocidentais. Quando um intelectual moderno em Boston invoca um logaritmo para resolver um calculo difícil, esta homenageando mesmo sem o seu consentimento e consciência, o matemático árabe Mohammad Ibn Musa-Al-Khwarizmi, que terá vivido na primeira metade do século IX, tendo a palavra logaritmo derivado do nome dele al-Khwarizmi. 

 

Também existem desenvolvimentos globais de maior importância nas quais o ocidente nem sequer esteve envolvido, é o caso do primeiro livro a ser impresso no planeta, onde que a tecnologia da tipografia era chinesa, o conteúdo era indiano e mais tarde traduzido para o chinês por um meio turco. E todo esse processo envolvendo China, Turquia e Índia é sem dúvidas globalização e nem sequer com a participação do ocidente.   



3. Os pobres estão se tornando mais pobres? 

 

Dando uma resposta intuitiva a essa pergunta, pode-se afirmar que os pobres tornam-se mais pobres. E para sustentar essa resposta, pode-se recorrer a questão das assimetrias económicas que pode-se verificar tanto em nível nacional quanto a nível internacional, desde a não distribuição equitativa de oportunidades políticas, económicas e sociais, também nas disparidade na questão  da riqueza e outros fenómenos a considerar. Portanto, será que a uma divisão justa dos ganhos potenciais da globalização entre ricos e pobres?  Pois,




não é suficiente compreender que os pobres necessitam da globalização tanto quanto os ricos; também é importante garantir que eles de facto consigam aquilo de que necessitam” (Sen, 2010: 25).  

 

Mas para verificarmos a veracidade da questão, dos ricos estarem a se tornar mais ricos e os pobres mais pobres, é preciso prestar atenção na região e do grupo escolhido e de que indicadores de prosperidade económica estão sendo utilizados.  Pois, como afirmam os apologistas, a globalização não é injusta para com os pobres, pois, para além de também se beneficiarem dela, há pobres que estão a enriquecer porque engajam-se no comércio e no intercâmbio internacional. E aos pobres que não aderem a essa prática, continuam sempre pobres.  



4. Alterando os arranjos globais  Será que os grupos menos favorecidos podem conseguir um quinhão melhor das relações económicas e sociais globalizadas sem renunciar o mercado em si? 

 

   A utilização da economia do mercado em si é consistente com uma grande variedade de padrões de propriedade, disponibilidades de recursos, oportunidades sociais, e dependendo das condições, a economia de mercado gera grande variedade de preços, e outros resultados que podem diminuir variados níveis de desigualdade e pobreza.  

 

Os mercados globais não tornam as outras constituições insignificantes, mas também os resultados de mercado são massivamente influenciados por políticas em educação, reforma agrária, protecções legais, etc., e em cada campo ainda há muito por se fazer e isso pode alterar radicalmente o resultado de relações económicas locais e globais. Há várias omissões que estão ligadas a injustiças do mundo, que precisam ser discutidas, principalmente disposições institucionais e neste caso só as políticas globais podem ajudar a desenvolver instituições nacionais como por exemplo: na defesa da democracia e manutenção das escolas e postos de saúde. E para além das graves omissões que precisam ser corrigidas, é necessário implementar a ética global, na qual não só se restringe à ineficiência do comércio e injusta, mais também impede uso de drogas para salvar a vida, que mostra que a globalização tem algo a oferecer de bom.

 

E outra acção global, é o envolvimento das potências mundiais no comércio globalizado de armas, o que gerava lutas entre países em via de desenvolvimento e resultava no abalo económico dos países pobres e neste sentido as potências mundiais têm uma enorme responsabilidade por ter agitado na subversão da democracia africana e todos impactos negativos de longo prazo dessa subversão.  Portanto, para fechar essa compreensão de globalização como ocidentalizado, há que frisar que a globalização é um processo histórico que ofereceu e ainda oferece muitas recompensas.

 

E o ponto central da controvérsia não é a globalização em si e nem o uso do mercado como uma instituição, mas sim a desigualdade no equilíbrio geral das organizações institucionais, que criam divisão desigual dos benefícios da globalização. Para tal o problema não é se os pobres também ganham algo com a globalização, mas sim se eles participam equitativamente e recebem oportunidades justas e aqui a globalização merece uma defesa baseada na razão.              



CONCLUSÃO 

 

Diante do tema desenvolvido no trabalho, a globalização nas sociedades hodiernas, parece ser crucial afirmar que a globalização continua sendo uma questão fundamental para o homem contemporâneo e cheio de necessidades longe de serem satisfeitas com um abrir e piscar de olhos, e ela não preocupa apenas os filósofos e académicos, a plebe em geral.Talvez as perguntas ainda persistam, se a globalização não é uma nova face do imperialismo Ocidental? Será bom abrir as portas para ela? Ou o melhor é fecha-las?

 

Amartya Sem diz que a globalização não é nenhum imperialismo, e fechar-se a ela, pode ser também negar o desenvolvimento e novos saberes que dela podem vir. Os países pobres não devem culpar a globalização por sua pobreza, muito pelo contrário, devem apoiar-se nela, e vê-la como forma de chegar ao tão almejado desenvolvimento igual ou superior ao do Ocidente.  



BIBLIOGRAFIA 

 

SEM, Amartya. As pessoas em primeiro lugar: a Ética do desenvolvimento e os problemas do mundo globalizado. Bernardo Ajzemberg (trad.). são Paulo, Schwarcz, 2010. 

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