Na casa de meu pai: filósofo discute origens do pan-africanismo

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Na casa de meu pai: filósofo discute origens do pan-africanismo

KWAME ANTHONY APPIAH, filósofo americano, filho de inglesa e africano, com parentes em uma dezena de países, considera absurdo tentar preservar a pureza das culturas regionais. E quando o assunto é diversidade cultural, Kwame, 51 anos, fala de sua própria família. Nos anos 50, sua mãe, aristocrata e filha de um ministro inglês, desafiou as convenções para se casar com um estudante africano. Appiah nasceu na Inglaterra, mas passou parte da infância e da juventude em Kumasi, capital do povo de seu pai, os ashantis, em Gana. Como vive e trabalha nos Estados Unidos, adotou também a nacionalidade americana. Tem primos indianos, libaneses, franceses e quenianos. "Nas reuniões de família, falam-se oito línguas e há representantes das três grandes religiões monoteístas".

Em "Na casa de meu pai", o autor analisa a questão da invenção do pan-africanismo e do pan-negrismo como idealizadores de um pensamento geral para a África baseados nos conceitos de raça.

A fundamentação teórica de Appiah está baseada no pensamento do autor W. E. B. Du Bois, articulador intelectual, segundo o autor, do pan-africanismo. O autor se debruça na questão do nacionalismo e a relação entre nação, literatura e raça.

O mito de um mundo africano

Capítulo interessante do livro é aquele no qual Appiah discute a idéia de uma identidade africana. Ele avalia, por exemplo, que a grande diferença entre os escritores euro-americanos e os africanos é que os primeiros têm-se preocupado com a busca do eu, enquanto que os últimos estão engajados na busca, ou construção, de uma cultura. O autor afirma que o principal desafio dos escritores africanos na construção de uma cultura mais elitista é a substituição do “nós” da cultura oral pelo “eu” de seus livros.

Appiah também faz uma discussão sobre o que é, de fato, a filosofia africana - ou mesmo se ela existe. A criação de uma filosofia negra em contraposição à filosofia européia, ou seja, branca, como ressalta o autor, não é interessante pois esta se basearia em pressupostos de sua antitética filosofia: a branca.
 
Fonte:http://umnegro.blogspot.com/2007/12/na-casa-de-meu-pai-filsofo-discute.html
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