Evolução do conceito psicologia ao longo da história (Por Xerinda)

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O nascimento da Psicologia na segunda metade do século XIX, foi acompanhado de um acesso debate acerca da viabilidade ou não da nova ciência em gestação. Convém ter presente, para a compreensão das dúvidas suscitadas acerca da possibilidade da Psicologia como ciência, o paradigma científico vigente, todo ele moldado pelo ideal de precisão, rigor e objectividade de que a Física Moderna é a expressão mais acabada. A afirmação de que a Psicologia não podia constituir-se como ciência não é nova.

No século XVIII, Kant (1724-1804) foi o primeiro a negar que a Psicologia é uma ciência, porque não era possível aplicar a Matemática (métodos objectivos).

Augusto Comte (1798-1857), fundador do Positivismo, foi ele que forjou uma fundamentação elaborada e sistemática. A argumentação deste filósofo resume-se em: - Não há lugar para uma ciência dos fenómenos psíquicos porque estes não são passíveis de um estudo objectivo. Assim, o estudo do homem seria feito pela Biologia (na sua dimensão orgânica) e pela Sociologia (na sua dimensão histórica-social), não restando qualquer lugar para uma ciência dos fenómenos interiores.

Antes desses existiram outros pensadores como Sócrates, Platão e Aristóteles na Grécia Antiga e as suas ideias estão assentes no dualismo antropológico alma e corpo. - A alma seria a essência do homem, a sua dimensão interior. -O corpo seria a sua forma exterior e acidental.

O dualismo alma e corpo, foi acentuado pelo fundador da Filosofia Moderna René Descartes (1596-1650). Para ele o homem é composto por duas substãncias distintas e irredutíveis: substãncia pensante e substância extensa. Substância pensante - a sua actividade é pensar, sensação, imaginação, memória, abstracção e englobando igualmente os fenómenos da afectividade e vontade. Substância extensa matéria que tem características do espaço geométrico, cuja actividade se caracterizava pelo movimento mecânico.

O conceito alma, com a evolução da ciência perde o seu significado. E quem começa a excluir este conceito é David Hume (1711-1776); Ele funda então uma filosofia Metáfisica, que centra o seu estudo nas actividades mentais, tentando identificar os dados elementares da consciência; Segundo David Hume, sensação é combinação de ideias simples dando origem a ideias complexas.

O século XVIII, é marcado pelo empirismo Inglês e sensualismo; Surge a prioridade de experiência, o nome mais evidente neste século é John Locke (1632-1704), o Pioneiro da Psicologia empírica ou experimental. Ele argumenta que todas as experiências têm duas fontes: Actividade externa de orgãos de sentidos e a Actividade interna da razão. Para ele, o homem nasce sem nenhum tipo de ideia mas, a medida que cresce vão-se escrevendo nele as experiências.

John Locke, na sua obra Ensaio sobre o Entendimento Humano (1700), expõe pela primeira vez, aquilo que ao longo de quase 20 anos constituirá o princípio regulador de toda a vida mental identificada com a Psicologia: a teoria de associação de ideias. Graças à associação, as ideias elementares, separadas uma das outras como grãos num saco podem organizar-se em conjuntos coerentes não só na experiência presente como ainda na rememorização do passado ou previsão do futuro. O método utilizado por esta disciplina Filosófica era a introspecção. Era convicção mais ou menos generalizada que, tendo como objecto dados interiores do sujeito, a Psicologia não poderia vir a tornar-se uma ciência como as outras, pois, seria dificil um estudo objectivo e quantitativo de fenómenos essencialmente qualitativos.

A originalidade de homens como Weber, Fechner e Wundt, na segunda metade do século XIX, não consistiu numa revolução completa do campo da Psicologia, mas antes em eles terem transposto para o âmbito da Psicologia Introspectiva os métodos especificos da Física e das Ciências da Natureza. Desta transposição resultou uma introspecção experimental. Fechner e Wundt podem considerar-se os marcos fundamentais desta viragem metodológica com a qual se inaugura a Psicologia científica. A Fechner, cuja obra principal, Elementos de Psicofisica, foi publicada em 1860, deve a primeira lei científica no dominio da Psicologia e com ela a introdução da medição no estudo dos processos psicológicos.

E nessa época, o campo da Psicologia não tinha dominio próprio, seu objecto pertencia a Filosofia . Mas, a ambição de Wundt era estabelecer uma identidade independente para a psicologia.

Em 1879, Wundt fundou o primeiro laboratório de Psicologia em Leipzig na Alemanhã, conferindo assim a Psicologia o estatuto de ciência plena.

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