Agricultura entre os séculos XVII e XVIII

0
15

Entre os séculos XVII e XVIII, desenvolveu-se na Europa o Fisiocrático, uma doutrina económica contra a política mercantilista, que defendia, que a verdadeira riqueza das nações, se encontrava na agricultura, porque a agricultura depende de todas as actividades económicas e alimentação.

A fisiocracia defendia a liberdade de produção, concorrência e maior investimento de capital na agricultura e pecuária. Esta teoria obrigou que os agricultores Europeus a especializarem-se nas técnicas de produção o que significa adopção de novas, acompanhadas pela eliminação do pousio, produção em grandes quantidades de novos produtos, como o milho, a beterraba, a batata entre outros.

A introdução de novas culturas, adubos verdes, estrumes, abertura de canais associados a novos instrumentos ou a melhoria dos instrumentos já conhecidos constituiria um enorme avanço técnico da agricultura a que se chamou por revolução agrícola, a qual permitiu a segunda explosão demográfica.

As melhorias qualitativas, juntaram-se ao aumento dos campos agrícolas e das suas extensões, modificações das estruturas agrárias, novos afolhamentos e consequentemente o aparecimento do emparcelamento.

Nos finais do século XVIII, a Europa assistiu a emergência da agricultura moderna, caracterizada pela maior regularização das safras e o aumento da produção agrícola devido à utilização de tractores, colheitadeiras, semeadeiras, debulhadoras e alguns novos implementos agrícolas.

A invenção da máquina de separar o caroço da fibra do algodão, por exemplo, possibilitou o fornecimento abundante dessa importante matéria-prima por um baixo preço. O Cotton Gin, o descaroçador de algodão, foi inventado em 1793 por Eli Whitney, um mestre-escola da Nova Inglaterra. Do ponto de vista de diversos historiadores, essa invenção contribuiu mais para a extinção da escravatura na América do Norte, que todas as teorias que pudessem incentivá-lo na época.

A agricultura moderna apoia-se cada vez mais na investigação científica e na indústria para aperfeiçoar as técnicas e métodos de cultura e depender cada vez menos dos condicionalismos físicos naturais. A agricultura utiliza aspectos cada vez mais sofisticados, onde, de forma clara, os computadores e a electrónica desempenham um papel cada vez maior. O agricultor possui cada vez mais formação e um conjunto de recursos técnicos e tecnológicos que lhe permitem com menor esforço produzir quantidades progressivamente maiores e de melhor qualidade, dispensando paulatinamente muita mão-de-obra.

As estações agrícolas têm igualmente a missão de investigar para produzir excedentes cada vez maiores para alimentar as grandes cidades. Isto só é possível graças à introdução de melhoramentos de ordem  técnica que se traduz:

  • Na selecção e introdução de novas variedades de plantas cultivadas, resistentes às intempéries, às doenças e pragas e adaptadas às condições ambientais muito adversas;
  • Na introdução de novas variedades de plantas que permitem aumentar significativamente os rendimentos;
  • Utilização de novas técnicas agrícolas, que permitem a generalização da mecanização e dos sistemas de rega (por aspersão, micro irrigação, gota-a-gota);
  • Uso crescente e racional de adubos, que possibilitam uma rápida produção, enquanto o uso de herbicidas, de insecticidas e de fungicidas permite a eliminação de ervas daninhas e pragas que atacam as culturas;
  • Estudo das características físicas e químicas dos solos, de forma a ser cultivadas culturas que a eles mais se adaptam;
  • Desenvolvimento e generalização de culturas sob abrigo (estufas modernas) onde a temperatura, a humidade e a água são controladas automaticamente, permitindo o rápido desenvolvimento das culturas e evitando a agressividade das condições meteorológicas adversas.

 

Bibliografia

HESPANHOL, António Nivaldo. Modernização da Agricultura e Desenvolvimento Territorial. São Paulo. UNESP. 2008.

MAZOYER Marcel e ROUDART Laurence. História da agricultura do Mundo Neolítico a crise contemporânea. Brasil, editora UNESP 2008.

NOÉME, Carlos. Importância da Agricultura nas Sociedades Modernas. Lisboa. ISA. 2010.

Zoeken
Categorieën
Read More
Física
O que é Carga, Tensão, Corrente e Resistência Elétrica?
Carga Elétrica Matéria é tudo que possui massa e que ocupa lugar no...
By Arnaldo Humberto Vilanculos Júnior 2021-10-11 22:10:20 1 5
Geografia
Críticas de Vidal de La Blache à Geografia
Geografia Humana é uma área de Geografia que estuda a relação...
By Daniel Ngovene 2022-07-12 08:29:44 0 36
Perguntas
No Egipto Antigo, grande número de pessoas eram ocupadas em actividades industriais, na maior parte em ofícios especializados em
No Egipto Antigo, grande número de pessoas eram ocupadas em actividades industriais, na...
By FiloSchool Lda 2023-10-28 14:37:07 0 2
Filosofia
O estatuto epistemológico e axiológico das línguas maternas
Por: Daniel Ngovene, Eduardo Tovele e Raquel Buque O papel da padronização da...
By Daniel Ngovene 2021-09-11 16:16:13 0 19
Livros 10classe
Modúlo de Matemática 10ᵃ Classe – (PESD) PDF
Modúlo de Matemática 10ᵃ Classe – (PESD) PDF Autor: Abel Ernesto Uqueio...
By Daniel Ngovene 2022-09-04 08:21:05 0 25